sábado, 13 de julho de 2013

Som e sangue e a passividade do Amor



um vulto arrasta o ar    violentamente ferido
de morte tomba

numa emboscada

barridos cortam estalos de cigarras na imensidão agreste;

ferido de morte
em poça de sangue
fica

outros barridos numa retirada descontrolada
correm
para que lado

há morte

o homem está em guerra
contratada
armas poderosas estudadas ao milímetro
para um tiro
 
de morte
está
com lágrimas grossas a cortar poeira
olhos grandes
como pedras de negro vidro brilhante

o homem está em guerra
arrasa
floresta  e arbusto cerrado

a matriarca foi morta
emboscada
preparada

descontrolada a manada
corta o mato parado     seco  
sós
e a sombra dos seus corpos

o homem está em guerra
na poça de sangue
plantas encarnadas       trazem à memória
 
um dia alguém deu ordem
 
Matar Elefante
                          
Inez Andrade Paes

 

2 comentários:

  1. Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
    reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
    Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
    decerto que virei aqui mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
    siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

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  2. Obrigada. Fico-lhe grata pela visita.
    Felicidades também para si e para o seu trabalho.

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